Palavras ao vento
Banco, Banqueiro e o consumo de droga
De vez em quando vem na comunicação social que o maior banco português é o bcp.
Confesso que isto me fazia alguma confusão até por não me parecer que fosse a diferença na qualidade do serviço que este banco oferece em geral merecesse tal liderança.
Descobri uma plausível razão através da entrevista ao Público de hoje ( separata Economia ) do presidente daquela instituição bancária, Paulo Teixeira Pinto. Com efeito, em destaque inesperado, considerando os temas lógicamente de esperar ver tratados numa entrevista deste tipo, declara o sr. presidente do bcp que é " o consumo de droga não deve ser um tipo autónomo de crime ".
Justifica esta afirmação com a mais variada panóplia de argumentos entre os quais que "o Estado não tem que ter juízos éticos, quando não há ninguém que seja prejudicado (sic)"; Insiste, contradizendo-se de algum modo " O consumo de uma droga leve, podendo fazer mal ao próprio, não resulta em nenhuma consequência para terceiros ." Não fala no quase inevitável "upgrading" para as drogas duras mas continua: "Com que fundamento é que o Estado há-de sancionar essa pessoa? Quem é prejudicado com isso além do próprio?" Parece-me razoável acreditar que o sr. presidente nunca teve um drogado na família próxima ou então conduziu o problema com notáveis sabedoria e compreensão. Não fica, no entanto, por aqui " Pode sempre dizer-se que, em função da droga se praticam outros ilícitos. Então, o consumo de droga deve ser uma condição agravante da prática de outros ilícitos e não um tipo autónomo de crime. Mas há também uma questão económica. Há uma quantidade de pessoas detidas que não estão por causa da droga, mas por estarem detidas se induzem na droga e que por causa da droga praticam outros crimes".
Confesso que esta argumentação me tinha escapado até à entrevista do sr. presidente, como talvez a muitos outros interessados neste tema, talvez porque não fossemos capazes de encarar o fenómeno do "avesso" nem diplomados em economia e finanças ou simplesmente banqueiros.
Não fica ainda por aqui o responsável máximo pelo bcp " O grande problema é o crime organizado. E uma das razões pelo qual o crime é organizado e possibilita fortunas gigantescas é porque se trata de um bem proibido. A experiência histórica dos Estados Unidos com a Lei Seca
provou isto. Quando o álcool se tornou acessível deixou de haver uma máfia organizada para o proporcionar" Estou convicto que se o célebre Mayor Ralph Juliani de Nova York tem sabido no seu tempo destas opiniões do sr. presidente as teria levado em consideração e em vez de quase limpar as ruas da Big Apple da pequena criminalidade teria antes legalizado o consumo de droga e por extensão forçado a máfia a entrar no negócio das farmácias, a trabalharem agora em pleno apenas para o mal do próprio consumidor e não só para a cura dos seus achaques . Acabando, afirma o sr. presidente do banco bcp " E há ainda o plano de saúde pública. Morre hoje muita gente não pelo consumo de droga, mas pela fabricação manipulada dessas drogas " Com efeito podíamos nessas condições ficar muito mais tranquilos. Os genéricos e cópias oriundas do Norte de Africa seriam produtos de qualidade garantida, capazes de provocar "overdoses" limpas de qualquer mixórdia impura.
Inibo-me nesta altura de mais comentários , quando terminam as opiniões do sr. presidente do bcp sobre o consumo de droga. O leitor, mais avisado e experiente do que eu, melhores opiniões terá com certeza.
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Vamos lá todos no engano
O primeiro, o segundo e todos os outros ministros lá andam hoje com o Bill Gates ao colo para caçar umas esmolas.
Agora não será a D. Comunidade Europeia a dar para esta missa mas o dito homem mais rico do mundo, que conquistou a riqueza á custa de uma cabecinha previlegiada e muito trabalhinho e não a pedir esmola.
Entretanto estou eu há meia hora a tentar ligar para a Alfândega de Lisboa para descobrir que destino levaram duas encomendas que me mandaram lá da terra do mesmo Bill. Tinham-me já avisado para tirar o cavalinho da chuva porque não ia conseguir.
E é assim em quase todos os sectores da actividade estatal e paraestatal que tudo, ou quase tudo, funciona.
Bem pode o tal de primeiro, ou qualquer outro, ministro esfalfar-se a apregoar que agora se faz uma empresa num dia.
Para quê, se a resposta a tudo o que essa empresa fôr fazer com ligação com o Estado terá resposta com rapidez comparável ás informações da Alfândega?
E o Bill Gates que se cuide, porque eu tive um sócio inglês que ao fim de poucos meses em Portugal já me chegava ás reuniões uma hora atrasado, debitando cândidamente á laia de desculpa: "Tipically portuguese, isnt it, Norberto?
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A esperança é a última a morrer
Votar em Cavaco era uma espécie de sapo para mim. As bandeiras do rigor, tão apregoadas nos últimos meses por este candidato, arreavam para menos de meia haste quando confrontadas com muito descalabro orçamental do seu tempo de primeiro entre os responsáveis da governação. Basta recordar o que se passou com a construção do mamarracho conhecido como Centro Cultural de Belém, onde agora celebrou triunfalmente a vitória e que pura e simplesmente levou do erário público mais de 6 vezes a verba que lhe tinha sido originalmente atribuída. Mas os outros... Tirava-me o sono pensar em voltar a suportar a arrogância disfarçada de falso populismo e cada vez mais senil de Soares quando este país o que mais pede é humildade para arrepiar caminho e enveredar por uma nova senda, que para ser inovadora terá sobretudo de se livrar da sombra daqueles que nos puseram à esquina da falência. E que contributo útil poderá trazer a poesia quando a falta é de pão para a boca em quase dois milhões de portugueses? E quando todos os "ismos" da política: comunismo, maoismo, trostkysmo, e sei lá o que é que o Louçã vende, que não é sabonete, porque não cheira bem nem desinfecta, antes pelo contrário, já mostraram de que eram capazes, como poderia eu aceitar que á segunda volta fossem estes a empurrar o vaidoso de Nafarros ou o arremedo do grande Camões pela escadaria acima de Belém?
Assim alegro-me, salvo seja, por me acreditar parte das poucas dezenas de milhar que deram ao "menino" que saía de Boliqueime ás 5 da manhã para ir para Faro estudar a possibilidade de cumprir aquilo que prometeu e que não foi pouco.
Tenho a esperança que Aníbal Cavaco tenha agora muito maior "estatura" do que tinha à dez anos. Alguns homens são capazes de crescer com a responsabilidade. A responsabilidade que vai pesar nos ombros de Cavaco PR durante os próximos 5 anos tem poucos paralelos nos novecentos anos da história de Portugal.
Ainda guardo esperança de ver um dia o sapo saír da minha boca com forma de borboleta.
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Regresso
Andei meses afastado deste malvado blogue. Na verdade a malvadez não é do blogue mas sim da mania que tenho de comentar os acontecimentos inevitavelmente tristes que se sucedem nesta terra de candidatos presidenciais indigentes de espírito, se não de bens materiais, e que diáriamente me deixam às portas da depressão por muito que os evite ouvir.
Deu-me para aqui voltar por ter aqui recebido um comentário, hoje, dum americano guarda de parques que me animou de certo modo pela indefinição e falta de conteúdo. Primeiro porque aprecio os americanos dum modo geral e a sua mentalidade e capacidades e tenho a convicção, antiga aliás, que ao contrário do que a esquerda debiloide e politicamente correcta apregoa, George Bush nunca tinha chegado ao "poleiro" se fosse tão imbecil como a generalidade dos seus críticos. Disse isto uma vez ao Dr. Portas (Paulo) e acho que ele me acreditou e não se deu mal de todo com isso.
Assim sendo é possível que graças à minha "fé" nos americanos aqui volte a deixar com certa rotina algumas observações pertinentes, evoluídas e profundas sobre tudo, todos e mais alguma coisa que me aprouver. Cócóricó! Cócóricó! ...
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Competitividade
Ontem num erudito artigo, como é costume, explicava o Professor Doutor Cavaco Silva que a salvação prioritária para este castigado país, que tão bem dirigido por ele já foi, seria criar de uma vez por todas, e finalmente, empresas competitivas.
Talvez, no entanto, fosse primeira prioridade explicar aos portugueses o significado prático da palavra competitivo, e porque não de produtivo, e como essa compreensão viria a mexer nas suas vidas futuras e no egoismo em que andam á mais de três décadas mergulhados.
Penso eu, de que...
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Auguri
Primeiro dia do segundo congresso do CDS dos últimos dez anos em que não estou presente.
Ouvi José Ribeiro e Castro. Poderá ter contra ele a inércia do aparelho distrital do partido. Conheci bem a maneira como a manobra dos bastidores nestes congressos pode tolher as possibilidades dos candidatos anti-sistema. Desejo a melhor sorte ao euro-deputado que reputo poderá dar ao CDS um muito mais risonho futuro que o cinzentismo seguidista de Telmo.
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Pax vobiscum
Diz-se que a esperança é a última a morrer. Confesso que a que tinha de ver um novo Papa herdeiro das extraordinárias qualidades de João Paulo II era ténue. Felizmente devo ter sido homem de pouca fé neste caso. Ao contrário do que as bruxas pseudo-cristãs tanto desejavam Bento XVI deverá vir a ser um elo de continuidade para a doutrina tão árduamente defendida pelo Papa polaco e não é provável, a avaliar pelo seu mais recente discurso, que venha a ceder perante as correntes libertárias, ou libertinas, que tanto têm infiltrado a Igreja de Roma. Assim seja.
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Poder
A avaliar pelo que se tem passado em Portugal permito-me uma observação filosófica:
o acesso ao poder ou corrompe ou mata.
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Agora ou nunca
Digam o que disserem, para mim o discurso de hoje de José Sócrates foi uma surpresa.
Quem sabe se não me provará ainda o lado positivo da célebre teoria de Napoleão que defendia que a extrema raridade dos grandes homens de Estado se devia a que precisavam primeiro de uma grande dose de mediocridade para atingirem o poder e depois de uma grande dose de grandeza para exercerem esse poder adequadamente. Defendeu o programa de governo com clareza previlegiando claramente o desenvolvimento da economia, que se encontra em estado de debilidade assustadora quando comparada até com as anémicas congéneres do resto da União. Percebe que resolver problemas de finanças públicas sem fortalecer essa economia mais não é que a acertar a contabilidade dum merceeiro com loja vazia e falta de crédito nos fornecedores. Compromete-se com clareza a proteger a velhice como primeira prioridade social. Compromete-se a apresentar planos plurianuais já em 2006.
Enfim, põe a corda no pescoço com esperança e coragem.
Que as matilhas que o cercam e que o defrontam tenham por uma vez cabeça para perceberem: agora ou nunca mais.
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Dignidade
Irmã Lúcia, uma vida grande em duração, em grandeza de alma, em grandeza na modéstia, em grandeza na dignidade, em grandeza no recato. Merecia esta exploração na morte?
A Igreja Católica foi durante séculos Imperial, hoje é uma empresa multi-nacional.
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Carnaval a rodos, sempre!
É preciso mesmo viver numa terra sem rei nem lei nem roque para ser obrigado a pagar portagem no troço da A1 entre Aveiras e Santarém, há meses e meses em obras sem perspectivas de alguma vez findarem no horizonte temporal próximo. Vi fazer um troço completo de autoestrada entre Huelva e Ayamonte em pouco mais de um ano. Infelizmente não hão-de ser Santanas nem Sócrates que alguma vez mudarão esta sina dos portugueses andarem a passo de boi, salvo seja.
Bom Carnaval para todos, com muitos estalinhos!
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O fundo do poço ou o poço não terá fundo?
Todos os dias aparecem provas de ainda haver portugueses lúcidos quanto baste, divididos por vezes nas políticas e até na interpretação das mesmas políticas, mas sempre argumentativamente lúcidos, honestos e coerentes. Exemplos já aqui tenho citado, tais como José Pacheco Pereira ou António Barreto. Ontem deparei-me com a vez de Medina Carreira. Num artigo magistral e magistralmente documentado junta peças de um puzzle parcialmente conhecido de cada um de nós. Nada que outros e eu não tenhamos já tentado mas de modo nenhum com a clareza, a simplicidade, a inteligibilidade e a acutilância com que o consegue.
É o diagnóstico dos diagnósticos dos males que afligem os portugueses, pelo menos ao longo dos últimos duzentos anos. Quanto a prognósticos Medina Carreira não tem ilusões. Modestamente, eu também não. As pulgas e percevejos que nos têm hoje nas mãos não são providos de um mm cúbico de cérebro para perceber a o diagnóstico de Medina Carreira quanto mais para aviar as receitas. E, mesmo que assim não fosse, aqueles que, por sua vez, verdadeiramente controlam os mencionados insectos alguma vez deixariam aplicar tais receitas?
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