Palavras ao vento
terça-feira, outubro 28, 2003
  A culpa é de todos nós?
9 horas, hoje. A TV1 passa extractos de entrevista com o Presidente da Republica. Num deles aborda a Casa Pia. A culpa é de todos nós, afirma! Parece-me justo, pelo menos, ressalvar desta culpa todos aqueles que ao longo de mais de 20 anos denunciaram o que passava, sem medo alguns, outros, os mais corajosos, apavorados, até a um dos antecessores deste Presidente. Ministros, Secretários de Estado, Directores, foram ouvindo denúncias, ou mesmo, podemos admiti-lo, apenas rumores. Que fizeram? Na melhor das hipóteses assobiaram para o lado, na pior eclipsaram o que lhes chegava ao conhecimento!
A culpa é de todos nós? Admito, com a ressalva anterior. A minha foi durante anos ouvir rumores sobre a pedofilia de um médico a exercer na freguesia onde habito e a única actitude que tomei foi mencionar estes rumores a outro médico, este de grande prestígio e responsabilidades na administração pública da área. Não sei se isso terá contribuido mas o suposto pedófilo não foi nunca preso mas desapareceu do centro de saúde local passado algum tempo.
Voltemos ao Supremo Magistrado da Nação e suas declarações. A certo ponto também ele entra pela tese da cabala. Cito:
"Andam tantos para aí a dizer que é preciso um PS forte na oposição e a pensar exactamente o contrário..."
Esclareço agora que sempre tive um afastamento político visceral em relação a PS e PSD. Para começar têm em comum a ideologia que professam, i.e., não tem ideologia. Para acabar, a coberto da ideologia que não têm, um, o PS, governa com total displicência os bens públicos que recebe ao ser poder e o outro, o PSD, acaba por fazer exactamente o mesmo a coberto duma arrogância verdadeiramente ofensiva!
A cabala, a célebre cabala... Existe mesmo? Andam para aí a tramar o Dr. Ferro Rodrigues? Se andam, são muito mais burros do que parecem. Então o Dr. Ferro, com a sua total inabilidade e inoperância polí­ticas, não é um verdadeiro seguro de vida para este PSD, a navegar em decisões que na maior parte flutuam ao sabor das TVs, excepto no que diz respeito ao garrote que a Dra. Leite nos colocou ao pescoço? Pensem bem, seria difícil a um polí­tico informado e hábil, escavacar a argumentação do governo em tanta manobra que vai fazendo, agora que cada vez mais ficamos em risco de entrar em coma por asfixia ou pior, falecer à  conta do remédio? O aluno aplicado dos mestres França e Alemanha, que faz o que os mestres dizem e não o que os mestres fazem? É dificil explicar aos portugueses que tem que haver alguma coisa no meio antes do suicídio?
Cabala, Senhor Presidente? Um PS forte? Para o ter fraco é só deixar lá este que lá está.
 
segunda-feira, outubro 27, 2003
  Militantes donos ou militantes sem dono?
Leio no Publico de hoje uma entrevista, extensa, com o li­der parlamentar do CDS-PP. As opiniões expostas podem sempre entender-se, à vontade do freguês, como as do próprio na forma exterior apenas de militante ou de dirigente ou parlamentar ou mesmo líder. Há no entanto nelas como que um fio condutor, que da minha experiência, me faz antever uma orientação que desde a cúpula do CDS pode estar a espalhar-se, de há algum tempo a esta parte, sobre todo a partido ainda activo, gerando uma fina mas, oh quão eficaz, teia de aranha.
Senão, vejamos.
Há-de chegar o dia em que os portugueses perceberão, esperemos por boas razões mas tambem podem vir a ser más, que a questão do momento verdadeiramente importante para o seu futuro se chama Constituição Europeia. Pensadores ilustres, que infelizmente não abundam por estas bandas periféricas da Comunidade, entre os quais me parece justo salientar o euro-deputado José Pacheco Pereira, fartam-se de chamar a atenção para isso. Parece-me que o CDS-PP, partido em coligação, mas que, não sei bem porquê, ultimamente me tem feito lembrar, pela negativa, o conhecido "aforismo" "casado mas não capado", deveria no mínimo ter já produzido, pelo menos para dentro e para discussão, uma posição clara sobre o articulado proposto para aquela constituição, tal como saíu da Convenção de Giscard. Digo Giscard porque tudo o que se soube até agora da metodologia utilizada para parir esse articulado só pode levar a crer que o projecto apresentado é o de Giscard mas não me parece que seja o que o CDS-PP devia querer para Portugal.
Que diz o Dr. Telmo Correia sobre um documento com tanta página e tantas implicações? Que não é contra a existência de um presidente em vez das presidências rotativas, acha fundamental a manutenção do comissário por país. Se isso for assegurado os principais partidos do arco da governabilidade devem ser pelo sim e acha que o sim vencerá...
Quanto a um referendo sobre este assunto limita-se a adoptar a posição oficial do CDS-PP, perdão, do PSD.
Do resto da entrevista fica o apoio declarado a Santana Lopes, uma crí­tica ao Dr. Monteiro por este não ter aceite a esmola que o partido lhe queria dar, a vontade expressa de fazer tudo o que doravante for possível "bem abraçadinho" ao grande partido da coligação e, justiça seja feita, uma posição coerente com o passado no que diz respeito à  legislação referente ao aborto.
Hoje, é sabido e claro, CDS-PP não é oposição, mas será que algo o impede de ter posições? Quando era oposição produziu-as sobre o que era de relevância para o país, a uma cadência a bem dizer diária, documentando e fundamentando essas posições.
Sem sombra de dúvida que foi isso que levou o partido ao governo. Sei que o dr. Telmo é bem capaz de fazer mais e melhor. Há quem diga ser hoje a segunda figura do CDS-PP. Mesmo que fosse a décima, porque só pode ou quer produzir o que debita nesta entrevista? Será só isso que os militantes do CDS-PP querem que produza? A cúpula do CDS-PP não acredita que valha a pena produzir mais?
 
Portugal, que futuro?

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