Palavras ao vento
quarta-feira, dezembro 03, 2003
  A Solteirona
Dona culpa anda desesperada. Toda a gente sabe que em Portugal está condenada ao celibato. Parece que uma vez um pobre homem, desesperado para alimentar um filho com fominha, roubou um pão. Casaram-no com a Culpa, segundo diz a lenda, mas foi uma excepção porque o crime era grave. Hoje, passados muitos anos, D. Culpa vê antigos secretários de estado, vulgo ajudantes, acusarem antigos ministros de mentir, com juras à mistura, mas D. Culpa parece que continuará só e abandonada. Dizem que a culpa é D. Maioria. Ouve tempos em que terá sido de D. Oposição. Um funcionário de escola queima um aluno, mas D. Culpa não casará ainda desta vez. Os GNR do Algarve defendem-se dizendo que perdoaram muitas multas sem nada receber em troca. Foram bonzinhos para tanta pessoa importante, até num caso uma taxa de alcoolémia se terá transformado, como que por magia, em taxa de H2O. Então porque carga de H2O é que só hão de ser acusados de favorecer alguns pobres cidadãos?
D. Culpa acha que nunca teve tantos pretendentes. È justo negarem-lhe o matrimónio? D. Maioria e D. Oposição casam-se por todo o lado, fazem filhos à farta. Será que D. Culpa não casará um dia com todos nós, sem todos nós termos culpa? Ou será que teremos e ainda vamos ter uma amarga lua-de-mel?

correio para
nipedroso@sapo.pt
 
terça-feira, dezembro 02, 2003
  Natura non facit saltus...ou facit?
Não tenho, de há algum tempo a esta parte, escondido uma grande admiração pelo posicionamento intelectual e polí­tico de José Pacheco Pereira. Nunca o vi, a não ser no televisor, mas sei que tem honrado uma carga genética que o liga ao que há de mais notável em matéria de intervenientes na História deste paí­s. Parece-me óbvio termos desenvolvido posições políticas a partir de polos afastados, mas o que lhe descubro agora cada vez mais se aproxima daquilo que sinto, e que muito gostaria de ser capaz de exprimir tão bem. Por isso visito o blogue que edita com frequência diária. Hoje encontro-lhe um comentário a um convite que lhe foi feito para participar num colóquio organizado em conjunto pelos Institutos Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, que têm servido para veicular a estruturação politico-filosófica respectivamente do PSD e do CDS. O tema proposto para este colóquio será "O legado polí­tico de Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa" Aconselho vivamente todos os interessados a lerem o que JPP aí diz. Passei meia dúzia de anos, curiosamente todos anos de "travessia do deserto" do CDS-PP, convencido e a querer convencer quem me quis ouvir que a doutrina social da igreja permite a formulação de uma polí­tica auto-suficiente e perfeitamente capaz de englobar o que há de legítimo no que respeita a direitos, deveres e aspirações do ser humano. JPP admite que Sá Carneiro aí bebeu, para além como é logico do banquete que fez na Social-Democracia. Adelino Amaro da Costa não terá precisado de refeição tão vasta, tal como eu. Senti-me sempre verdadeiramente orgulhoso desta companhia à  mesa da ideologia. É por isso me ofende profundamente ver como título de um colóquio " O legado político de Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa". Cada um deixou UM LEGADO. Foram dois legados! Compreendo que se estudem, discutam e sigam. Não aceito que se confundam.
No que me diz respeito, no dia em que o CDS ou CDS-PP, como quiserem, se devote a uma amálgama de doutrina social da igreja e social-democracia apenas estará a pedir a criação de um novo CDS. Democrata-cristão e não social-cristão.
 
segunda-feira, dezembro 01, 2003
  Grande comunicador dixit
O professor doutor grande comunicador oráculo da SIC andou preocupado. Fiquei também preocupado com a preocupação do professor. O país real e fictício também ficou preocupado com a preocupação do professor.
O professor não percebia como fora possível que a ministrona tivesse votado a favor dos matulões. Tal como o ministrinho declarou, um "tão brutal pontapé" no traseiro dos pequeninos, no fundo no dela própria, não parecia possível ao professor. Não estava de acordo com os ensinamentos que tanto se tinha esforçado a dar nas aulas de Domingo, ainda por cima em horário nobre!
Afinal não havia razões para preocupação. Não houve votação. A ministrona, ao que lhe foi oficialmente comunicado, não deu pontapé nenhum no traseiro proprio ou alheio. A ministrona apenas manifestou carinho e compreensão para com os matulões. Entretanto, e entre dentes, a ministrona vociferava " agarrem-me senão dou cabo destes malandros!". Afinal a ministrona não é hipócrita, o que disse na AR foi o mesmo que declarou na frente dos matulões. Só que entre dentes. É que a ministrona ainda os deve ter todos. E os dentistas, como se sabe, custam os olhos da cara. E o plano de saúde do governo não é como o antigo para viagens de deputados...
Continuacion de salud.
 
domingo, novembro 30, 2003
  A ministrona e o ministrinho
Originalidades da política caseira...ou imoralidades. Uma ministrona vota a favor daquilo que diz que não se pode fazer, isto é, da imoralidade de dois matulões que, com a ameaça duns bofetões, põem os pequeninos em sentido. Logo a seguir vem um ministrinho dizer que a ministrona laborou num terrível erro, "um brutal pontapé" no Pacto de Estabilidade e Crescimento. Crescimento para os matulões e "mirramento" para os pequeninos. Pequeninos como o ministrinho, sem ofensa...
O ministrinho também diz que é a favor do referendo à  futura Constituição Europeia. Mas tem que ser na data que os ministrões quiserem, não antes nem depois, e os portugueses tem que votar como lhes mandarem, "porque não há alternativa"... Isto é, os matulões mandam nos ministrões, os ministrões mandam no ministrinho, e todos mandam nos portugueses, sem alternativa... Viva a democracia dos matulões, dos ministrões e do ministrinho. Que se lixem os portugueses e viva o Portugal dos pequeninos!
 
  Blogadas, Blogueiros e Bloguentos
Isto dos blogues tem que se lhe diga. Milhões que nunca ninguém leu nem irá ler. mas é terapêutico. Como ir à casa de banho e deitar para fora o que não faz falta... E, às vezes, até faz. Será que faz falta a mais alguém? Talvez no fundo se esteja apenas a caminhar para a prova do princípio da entropia aplicado ao pensamento. Pensamento que, quando a rede da internet se torna cada vez mais vasta, se torna cada vez mais geral e, ao mesmo tempo, mais diluído, e portanto mais inútil. até ao vazio, por enchimento. Buraco negro do espírito?
 
Portugal, que futuro?

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