Palavras ao vento
Realidade e Ingenuidade
O experiente político João Cravinho entende que a qualidade da classe política em meados e finais dos anos 80 era superior à da que existe agora. Outro cavalheiro, de nome Eugénio Marinho, que infelizmente não sei quem é, mostra no entanto notável discernimento quando afirma que "o exercício de cargos públicos exige alguns "sic" sacrifícios pessoais. Quem vem para a política para ganhar dinheiro é melhor ficar em casa". Ao primeiro deviam ter dado a tempo e horas o encargo de seleccionar os dirigentes socialistas. O segundo não pode queixar-se por não lhe terem seguido o conselho. Então não se diz que a Assembleia da República, os Paços de Concelho, etc. são verdadeiras casas para os políticos?
correio para
nipedroso@sapo.pt
É Natal
Digam o que disserem as "forças da reacção", que até já inventaram que a comemoração da data natalícia é 300 anos anterior ao nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, o tal "palerma" do George W. marcou dois "golaços" no dificílimo jogo de tornar mais seguro um mundo que nunca, infelizmente, o será em absoluto, porque o ser humano é, e será sempre, por natureza inseguro.
"Arrumou" o desgraçado, que tantos desgraçou, do Saddam e fez "o da Líbia" meter "a viola no saco".
Apenas tenho pena que a gigantesca despesa neste esforço envolvida não tivesse antes servido para minorar o sofrimento dos que não têm defesa; os doentes, as crianças e os velhos.
Bom Natal e sejam mais seguros.
correio para
nipedroso@sapo.pt
Sem saudades
Admitindo que o que li num jornal é verdade, o que me exige sempre algum esforço, soube que o Dr. Portas se viu "obrigado" para "não pôr em perigo a coligação" a pedir ao grupo parlamentar do CDS/PP para não avançar com um projecto de lei eleitoral para a Madeira, prometido pelo líder da bancada do partido e aprovado em Conselho Nacional. Este projecto quereria pôr alguma justiça na distribuição de mandatos aos pequenos partidos naquele arquipélago, o que não terá sido minimamente do agrado do proprietário do dito, Grão-Duque Alberto João, que assim recorreu à cláusula que obriga os dois partidos a consultarem-se mútuamente no que diz respeito a iniciativas legislativas. Terá imposto uma constituição nacional que lhe consagre "ampla autonomia" para viabilizar um dos mais elementares direitos do CDS, o de lhe ser atribuída uma recompensa equilibrada pelo trabalho político que realiza.
Estaria em perigo a coligação? Penso que, digam o que disserem alguns arautos da bem-aventurança, em perigo está cada vez mais o CDS. Ainda bem que desisti de participar nos Conselhos Nacionais. Para além disso, também não gostaria de viver num Grão-Ducado republicano.
correio para
nipedroso@sapo.pt
Feliz Natal?
Há muito que perdoei a falta de resposta de José Manuel Fernandes a um pedido que lhe enviei para o Público em relação com a injustiça que no jornal foi feita a Nascimento Costa, o verdadeiro e único heroi do triste episódio que constituiu o rapto do paquete Santa Maria. No editorial de hoje mais uma razão para tal. Com clareza e coragem de que poucos são capazes no Portugal de hoje, denuncia a vergonha do primeiro-ministro se reconhecer amigo do presidente da República de Angola, aceitando convite para estar presente no casamento da filha. Uma república em que 99,9% da população estiola à fome para que a filha do mencionado presidente se case com a fronha ornada de diamantes e seja servida à mesa com lagostas, champanhe francês e carne argentina, tudo preparado pelo Ritz de Lisboa. Tal terá contribuido para que um costureiro vendesse 50 vestidos por alguns milhões. Pode ainda argumentar-se que o primeiro ministro defendeu os interesses portugueses em Angola. Quem poderá sentir-se bem como português quando para conseguir defender tais interesses, tão alto ( ou baixo ) têm os seus governantes que descer?
correio para
nipedroso@sapo.pt
Os media sem medida
Para onde e como irá evoluir uma sociedade em que os três únicos meios de informação televisiva dedicaram pelos menos os primeiros quinze minutos dos respectivos telejornais das vinte horas de ontem ao interrogatório e prisão renovada de um indivíduo, de profissão embaixador da República Portuguesa, que alegadamente se terá distraído nas horas de lazer a perverter crianças ou a continuar a perversão de crianças que já estariam pervertidas?
Quando tudo nesta terra mostra que, ao contrário do que proclamam os profetas profissionais da bem-aventurança, vulgo governantes no poder, muitos dias de grandes dificuldades ainda continuam no horizonte dos portugueses em geral, o que preocupa principalmente, quase exclusivamente, os responsáveis dos telejornais são as aventuras diárias de indigitados pedófilos!
correio para
nipedroso@sapo.pt