Palavras ao vento
sexta-feira, janeiro 23, 2004
  O Cordão
Muitos polícias irão hoje formar um cordão humano de protesto.
Durante anos acompanhei, por dever de ofício político, as condições de trabalho da PSP e GNR e não era difícil concluir que valia muito mais, e era muito mais seguro, ser bandido. Todos os países que gozam de segurança relativa, porque a segurança absoluta será sempre um mito, defendem a dignidade das forças da ordem com unhas e e dentes. Em Portugal o que impera é uma cultura, suposta politicamente correcta, que defende os direitos dos marginais e deixa as forças de segurança entregues a elas próprias e a ataques geralmente dos mais soezes sempre que tenta impôr-se. Não quero com isto dizer que não haja defeitos graves em parte dos membros das forças policiais que temos mas gostaria de saber se esses defeitos subsistiriam se sentissem outro tipo de acompanhamento no desempenho da profissão.
Lembro-me bem dum debate em Faro em que participei onde estava presente o secretário de Estado do pelouro da segurança, na época PS, que como de costume insistiu em debitar toda a espécie de loas á actuação do seu governo. Eis senão quando se vê interrompido por um alto e façanhudo sub-chefe, na hierarquia da época, que declara alto e bom som " Longe de mim o propósito chamar a V. Exa. aldrabão, mas basta V. Exa. dignar-se vir ali comigo à esquadra para verificar que tudo o que aqui disse é mentira: não temos computadores nem armas nem munições nem veículos nem sequer combustível que cheguem mínimamente para exercer o nosso trabalho!"
Não sei hoje se estas condições se verificam ainda mas em face do cordão que se avizinha e a avaliar pela integridade dos polícias e guardas que conheço temo bem que sim.
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nipedroso@sapo.pt
 
quarta-feira, janeiro 21, 2004
  As Excelências
Na primeira página do "Público" de hoje aparecem numa foto, muito juntinhos, o presidente do governo espanhol e o primeiro ministro desta terra. Por baixo de ambos podem ler-se cartazes que dizem " SUA EXCELÊNCIA O PRESIDENTE DO GOVERNO José Maria Aznar" e " SUA EXCELÊNCIA O PRIMEIRO MINISTRO José Manuel Durão Barroso".
Estamos em pleno século XXI mas o pobre do Eça de Queiroz, se cá voltasse, diria espantado "Mas afinal o "sebo" ainda é o mesmo. Os Dâmasos Salcedes ainda imperam!" Tive a oportunidade de assistir a muita reunião por essa Europa civilizada fora e também nas Américas. Nessa reuniões por vezes vi gente tão importante como os dois governantes atrás referidos. Não me lembro de alguma vez ter visto dar-lhes tratamento diferente da função que ocupavam acompanhado de senhor ou senhora ou eventualmente doutor no caso de médicos ou doutorados universitários nos países de extracto anglo-saxónico. É muito triste acabar por concluir que a excelência em Portugal começa e acaba nos cartazes.
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nipedroso@sapo.pt
 
segunda-feira, janeiro 19, 2004
  Bola de Neve
Há um par de anos ouvi na delegação regional do Algarve do SEF pintar um retrato realista das expectativas daquele serviço em relação com a criminalidade perpetrada em Portugal por cidadãos estrangeiros. Infelizmente, de acordo, com uma notícia da semana passada no Independente, aquelas previsões, a não se terem revelado exactas, terão pecado apenas por defeito. Por outro lado tal como tantas vezes tenho constatado, quem se pode fiar nas estatísticas que se debitam nesta terra quando, segundo o mesmo jornal, dizem habitar em Portugal 8300 chineses e haver quase igual número de restaurantes da mesma origem abertos entre nós? O primeiro-ministro terá sido informado recentemente desta situação. Se quizer mais elementos poderá sempre recorrer ao ministro de Estado e da Defesa Paulo Portas, que ouviu exactamente o mesmo que eu na reunião a que assistiu também atrás mencionada.
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Portugal, que futuro?

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