Ouvi com atenção a entrevista de José Pacheco Pereira na SIC-Notícias. Na minha interpretação ficou o seguinte, numa síntese óbviamente muito limitada:
JPP constituíu-se, por querer ou sem querer, isso não posso saber, na reserva do PSD e em grande parte da nação. Revoltou-se com uma longa fila de "beija-mão" constituida por figurões que na véspera ainda juravam "Santana nunca".
Entende que é destes a responsabilidade verdadeira do que vier a acontecer e não dum oportunista primário que agarraria qualquer oportunidade quanto mais aquela.
Acredita que Barroso limitou sempre a tendência para um desvio à direita do seu governo por apesar de tudo ser um homem de esquerda, o deixará de acontecer a partir de agora.
Diz que o PSD deixa de acreditar na hipótese duma próxima maioria absoluta e assim entrega-se a um CDS actualmente desprovido de princípios e ideias.
Vê os partidos "ocupados" em permanência por "figurões" e "figurinhas" que barram a renovação de forma eficaz e sistemática e se enfeudaram completamente ao poder.
Vê o novo governo a instituir alterações orgânicas sem qualquer definição estratégica mas em consequência apenas de exigências por parte dos mais diversos grupo de interesses que nele estão agora abertamente instalados.
Vê o país na ´"mediocridade" no âmbito europeu e sem perspectivas dela saír.
Aponta ao PM actual a obcessão pela imagem pública que o fará prometer, desprometer e voltar a prometer tudo e nada desde que no horário televisivo das 20 horas.
Vê Sócrates como um Santana Lopes ao espelho. Diz assistir ao acesso ao poder de um conjunto de pessoas enfeudadas a um populismo, definindo populismo como um programa político baseado em afectos criados e transmitidos pela TV e não na racionalidade.
Vê como unica solução para tudo isto o desenvolvimento e promoção da qualidade (acrescento eu do mérito) mas não o acredita possível neste contexto.
Pensa que seria indispensável mediatizar a actividade política de outra forma, tornando-a compreensivel para o público em geral, em particular a actividade parlamentar.
Talvez muito do que vem atrás fosse sabido mas quem teve a coragem de o vir dizer?
correio para
nipedroso@sapo.pt
Versatilidade
A espantosa versatilidade que os novos ministros vão ser obrigados a pôr, ou não, em prática fez-me relembrar uma historieta, que tenho todas as razões para considerar verdadeira, que a seguir conto:
Nos tempos em que ainda havia o império CUF, de tão boa memória para tantos apesar de para outros ainda ser imbecilmente sinónimo do mal celebrava-se uma reunião do Conselho de Administração desta empresa. A certa altura chegou um ponto da agenda de trabalhos que incluia a escolha do responsável pelo projecto das comportas para a central hidráulica do Carrapatelo. Logo um dos administradores alvitrou o nome de um distinto titular, engenheiro apesar disso, para preencher na perfeição o lugar porque o sabia ser " especialista em comportas". Logo alí foi decidido convocar o Conde para ser auscultado na próxima reunião do CA.
Chegado o dia foi-lhe explicado com pormenor o que se pretendia ao que este conhecido proprietário de uma das maiores herdades do Ribatejo, responde estupefacto: "mas eu não posso aceitar um encargo desses! Sou engenheiro agrónomo, o que faço são "compotas", não percebo rigorosamente nada de "comportas"!
Ficamos infelizmente sem saber se hoje, como referiu o Professor ontem na TVI, não teria o Conde aceite a proposta já que era amigo de todos os administradores da CUF ou então porque achasse o "desafio" aliciante...
Outros tempos, outras gentes, outras mentes.
correio para
nipedroso@sapo.pt
A fé remove montanhas
Ouvi ontem o Professor no comentário habitual na TVI. Arrasou com a subtileza ( ou será safadeza? ) do costume mas desta vez é difícil não concordar. Na prática faz alastrar aos membros do governo independentes ou do PSD os erros de "casting" que eu apenas posso avaliar para os do CDS. Com a vantagem de conhecer muito bem todos e tudo, o que torna fácil acreditar na análise que apresenta. Concluiu dizendo que ficava à espera do milagre...
Bem disse eu atrás, pelos vistos apoiado por tão douto personagem: só a fé, e porque não a oração, nos podem salvar.
"Qu'ganda" montanha para remover desta vez!
correio para
nipedroso@sapo.pt