Palavras ao vento
Diferença de genes
A partir de 1986 passei mais de uma dúzia de anos a tentar implantar primeiro um projecto imobiliário de elevada qualidade e depois o de um hotel de 4/5 estrelas na margem portuguesa do Guadiana, entre Alcoutim e Castro Marim. Numa região com potencial quase único na Europa deste lado de cá e com a população a extinguir-se aceleradamente julgar-se-ia que os sucessivos responsáveis por parte do Estado com quem tive que lidar apoiassem uma iniciativa destas. Seria perfeitamente aceitável que esse apoio fosse condicionado a rígidas medidas de definição e controle para garantir uma execução adequada e respeitadora do prometido nesses projectos. Dificuldades, interesses ocultos, simples incompetências e atrasos, e também crises mundiais à mistura fizeram com que nem um nem o outro visse a luz do dia no terreno até hoje. Em contrapartida exactamente em frente mas do lado andaluz erguem-se dois gigantescos complexos turísticos verdadeiros monumentos à incapacidade de realização e estupidez naturais que imperam na velha Lusitânia destes tempos.
correio para
nipedroso@sapo.pt
Nesta foto o Dr. Tavares de Melo, de Coimbra, que foi o primeiro praticante de desporto motorizado em Portugal, na moto Werner de 1902 em que concluiu o percurso Porto-Lisboa em cerca de 11 horas, depois de vários acidentes e incidentes mirabolantes

Ouve um tempo em que Santanas e Santanetes eram assim.

Como velejador que toda a vida fui sempre me impressionou esta fotografia mas às vezes as tempestades na vida podem ser piores
Moralista
Parece-me já ter tornado suficientemente clara a minha pouca simpatia pelaa orientação política do ministro das finanças actual. Ultrapassou no entanto, na entrevista de ontem à Juditinha de Sousa, todos os meus piores receios ao advogar o acesso livre às declarações de rendimento de um qualquer cidadão como medida de moralização na evasão fiscal. Para além de uma medida destas constituir a admissão definitiva da incapacidade da fiscalização que deve competir exclusivamente ao ministério que agora tutela parece-me que apenas se conseguiria que a maioria de invejosos que habita este país se tranformasse numa maioria de delatores também.
correio para
nipedroso@sapo.pt

Viaduto Duarte Pacheco, Lisboa início da década de 40 às tantas da manhã. Na foto Matheus de Oliveira Monteiro, um grande senhor do automobilismo desportivo de então.

Família portuguesa enquadrada no orçamento para 2005 do ministro Bagão
Unir e desunir
Na política portuguesa existe frequentemente uma tendência para achar que as eleições para órgãos partidários são prejudicadas por concorrerem várias listas. Argumenta-se que assim se provoca a cisão dentro do partido e não a tão necessária união. Penso que o Dr. Oliveira Salazar concordaria inteiramente. Eu não. Na verdade em certos casos percebe-se que o que está em causa são posições pessoais, envolvendo acima de tudo colisão de interesses quando não de antipatias recíprocas. No entanto, se não for este o caso, a existência de várias listas a concorrer a direcções concelhias ou distritais, por exemplo, pode significar, e devia, o confronto de alternativas claras na forma de defender o futuro dos respectivos concelhos ou distritos. O caso particular em que penso neste momento é o do CDS-PP ( não o da direcção do PS, como seria natural! ) que durante tanto tempo esteve reduzido a zero em muitos aspectos da decisão política mas que agora pode, como se tem visto, ter importância decisiva. Amanhã elege-se a concelhia de Loulé do partido. Gostaria de acreditar que o segundo caso se aplicará inteiramente.
correio para
nipedroso@sapo.pt
As motos
Ninguém gosta de motos mais que eu. No entanto penso que é urgente encarar sem hipocrisia se se deve continuar a permitir a disseminação de objectos letais, capazes de fácilmente chegar a 300 km/h e acessíveis à maioria dos cidadãos, como o são as motos de hoje. Muitos dirão que o problema não estará no veículo mas sim no condutor. Será verdade, mas nem sempre. Por exemplo uma avaria mecânica a grande velocidade num veículo de duas rodas tem sempre consequências mais graves do que em qualquer outro. Por outro lado não é difícil encarar a adrenalina da velocidade como uma espécie de droga "dura" e as drogas duras ainda não são, felizmente, permitidas. Na verdade a "carne é fraca" e o extase de rodar como um campeão do mundo pode facilmente toldar o espírito mais sensato com consequências trágicas, muitas vezes também para os outros. Porque não limitar a potência disponível nas motos comercializadas? Já estamos sujeitos a tanta limitação, porque não institituir uma de consequências benéficas para a sociedade?
correio para
nipedroso@sapo.pt

Veículo destinado a acompanhar a velocidade actualizada as reformas prometidas pelos ultimos governos
Queria estar errado
Falsamente coloquial, sem vida , sem chama, sem convicção, inacessível aos 85 iliteratos em cada 100 habitantes desta terra e mal ensaiado o discurso de ontem do ministro Bagão pode estar correcto no conteúdo mas foi em minha opinião mais uma oportunidade perdida de motivar a generalidade dos portugueses para a realidade que teimam em não querer enfrentar. Desejo vivamente estar errado mas se tiver razão quanto tempo mais conseguiremos sobreviver com dignidade no actual rumo?
correio para
nipedroso@sapo.pt