Quem sabe?
Este não é o Dr. Portas que conheci e muitas vezes acompanhei. Atirar-se à banca e a supostos, aliás mal definidos, "atiradores furtivos" é um comportamento anómalo em relação ao que dele esperaria. Esperaria, ao contrário, que encarasse a crítica como aquilo que é mais legítimo no mundo da política e apenas tem que se provar ser infundada. Também a banca não é mais que um dos motores do progresso em livre concorrência, e apenas há que ter a coragem de a disciplinar, que é para isso, entre muitas outras coisas, que se constituem governos. Não ter a coragem de enfrentar e impôr disciplina, quer à banca quer a qualquer outra vertente da sociedade, nunca será escondido nem justificado com ataques, mais ou menos abertos. Tudo isto eu sei que o Dr. Portas sabe. Que se passou com o Dr. Portas que tanto o fez mudar. O enebriar do poder? O conforto de S. Julião da Barra? Os almoços com o Dr. Lopes no English Bar? Quem sabe?
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Credibilidade e legitimidade
Custa-me a acreditar naquilo que os media garantem hoje, isto é que CDS-PP e PSD vão separados às eleições mas com um acordo prévio, secreto ou público. Francamente entendo que seria a derrocada da credibilidade do Dr. Portas, construída até agora com tanta determinação e sacrifício, dele e de alguns, não tantos como seria de desejar.
Então se, ao que dizem, o efeito da coligação de acordo com sondagens é redutor, o que pensará o eleitorado se souber que existe uma outra espécie de coligação feita nas suas costas? E, se houver, o que poderá esse acordo ser senão uma forma de impedir o CDS de propagar com clareza, e verdade, mesmo com os defeitos que se lhe possam apontar, que foi a única vertente digna e útil das duas anteriores coligações?
A quem poderá beneficiar um acordo pre-eleitoral senão ao PSD, que se veria livre do único confronto que lhe pode ser incómodo, já que o PS para o eleitorado minimamente esclarecido, com as provas dadas ainda há bem pouco tempo, não passará de mais do mesmo, ou pior?
Com a independência a que tem direito, o CDS pode cobrar com legitimidade, e pela primeira vez desde há muito tempo, uma votação que lhe permita ser o garante do progresso que o povo sacrificado de Portugal tanto pede e tão negado lhe é.
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Ventos e Restelo
Ventos de tempestade sopram erráticos, de todos os quadrantes, sobre esta terra que podia ser o "jardim à beira mar plantado" do grande poeta, ele proprio sobrevivente duma tempestade. Mas a ventos destes receio bem que nem a mais empedernida floresta seria capaz de resistir de pé. Velho do Restelo? Velho, com certeza, do Restelo, Deus queira que sim!
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