Saber ler, para quê?
Um sintoma óbvio do atraso português, pelo menos em relação à quase totalidade dos parceiros na CE, pode ser avaliado na construção dos noticiários das TVs que por aqui têm alvará. Notícias repetidas no mínimo dois dias e muitas vezes mais não abonam a favor dos critérios nos quais se baseia quem as edita. Ou se acredita que os espectadores são tão burros que engolem mais do mesmo repetidamente sem grande engulho ou, o que me parece mais provável, os critérios são meramente economicistas o que dificilmente alguma vez contribuirá para o tão necessário desenvolvimento intelectual, em particular no que se refere ao espírito crítico, dos portugueses.
Na prática somos levados sempre ao mesmo, isto é, diziam que o Dr. Oliveira Salazar instruía repetidamente os seus colaboradores com a frase: "Sobretudo, não os ensinem a ler!". Os Salazares que por aí abundam ( Perdõe-me o Sr. Dr. a imerecida comparação ) refugiam-se noutro conceito : " Agora que muitos mais já sabem ler, por favor nunca os ensinem a pensar e criticar!
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