Agora ou nunca
Digam o que disserem, para mim o discurso de hoje de José Sócrates foi uma surpresa.
Quem sabe se não me provará ainda o lado positivo da célebre teoria de Napoleão que defendia que a extrema raridade dos grandes homens de Estado se devia a que precisavam primeiro de uma grande dose de mediocridade para atingirem o poder e depois de uma grande dose de grandeza para exercerem esse poder adequadamente. Defendeu o programa de governo com clareza previlegiando claramente o desenvolvimento da economia, que se encontra em estado de debilidade assustadora quando comparada até com as anémicas congéneres do resto da União. Percebe que resolver problemas de finanças públicas sem fortalecer essa economia mais não é que a acertar a contabilidade dum merceeiro com loja vazia e falta de crédito nos fornecedores. Compromete-se com clareza a proteger a velhice como primeira prioridade social. Compromete-se a apresentar planos plurianuais já em 2006.
Enfim, põe a corda no pescoço com esperança e coragem.
Que as matilhas que o cercam e que o defrontam tenham por uma vez cabeça para perceberem: agora ou nunca mais.
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